Bate-Papo com os Pais
Você é viciado em televisão?
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Lendo o livro Inteligência Social de Karl Albrecht, no epílogo, deparei com este tema: Largando o vício da televisão.O autor define vício como o “apego insalubre a alguma coisa e a incapacidade de agir sem ela”.

Naturalmente não nos consideramos pessoas viciadas, quer seja em televisão, quer seja em Internet ou coisa semelhante. Mas, o autor afirma algo realmente assustador. Diz ele que “estudos de ondas cerebrais provam conclusivamente que a experiência de ver televisão por mais do que entre três e cinco minutos, provoca um estado cerebral virtualmente indistinguível da hipnose: a atividade “alfa” das ondas cerebrais, um semi-estupor, a capacidade reduzida de processamento de informações, a capacidade reduzida de pensamento abstrato ou crítico e um alto nível de sugestionabilidade.”

Para comprovar o que afirma propõe que se faça um teste. Ver em pé um programa popular de TV. Insiste que se resista à necessidade de sentar-se, ainda que seja na ponta do sofá, de por um pé na mesa à frente,ou mesmo de se escorar na parede.E ainda por cima, manter os pés firmes! Parece que enquanto ficamos em pé, nosso sistema nervoso permanece ativo, conforme nossos músculos interagem para preservar o equilíbrio. Em seguida o que nos ocorre é um desejo premente de nos sentar( e voltar ao transe)e além do mais o programa nos parecerá absolutamente insípido. Também é afirmação do autor de que os programas de televisão são projetados especificamente para o estado de transe! Fico pensando nesses “reality shows”, nas novelas, que realmente deixam muitas pessoas viciadas.

Antigamente as vovós, no finalzinho do dia pegavam o seu “tricozinho” e sentavam-se para conversar. Agora as vovozinhas só querem mesmo é saber da sua novelinha. Estão ou não viciadinhas?

Confesso que essa leitura provocou uma reflexão sincera, pois quase todas as pessoas têm por hábito assistir pelo menos algum tempo de televisão. Será que estamos todos “em transe”? Não acredito que seja o caso de uma histeria coletiva. Mas penso que é preciso tomar conhecimento do que nos acontece quando muito tempo expostos às ondas televisivas, para ao menos podermos nos defender.

Penso por exemplo no adolescente, com uma televisão no seu quarto. Será que terá auto domínio suficiente para equilibrar o tempo gasto na TV e as responsabilidades escolares? Uma vez “em transe” será fácil desligar e sair desse estado de torpor? Nessa época em que os seus hormônios em desenvolvimento já provocam tantas alterações físicas e emocionais, será que a TV vai ajudar?

E porque não falar naqueles pais que assim que entram em casa já vão ligando a TV para só desligá-la na hora de dormir. Quer dizer, dormir na cama, pois juntando o cansaço do dia com o estado de torpor, o que resultará senão um profundo sono no sofá?

Mas, enquanto o pai dorme em berço esplendido no seu sofá, os filhos podem estar tranquilamente assistindo a programas absolutamente impróprios para o consumo. Sim, digo consumo, pois a TV nos leva a consumir violência, pornografia, ausência de critérios passivamente, sem provocar nenhuma reação.

Fico feliz que o senhor Karl Albrecht, que diga-se de passagem, abandonou a televisão para sempre, tenha nos alertado para este fato. Ele conta que começou a passar as noites de outro modo: lendo, praticando violão, estando e saindo mais com os amigos, ou então assistindo a DVDs pré escolhidos e de qualidade.

O mais sensacional foram os resultados obtidos:começou a notar seu estado mental mais límpido, tronou-se mais alegre,e mais aberto a novas experiências. Teve a sensação de ter limpado o cérebro descarregando a poluição acumulada.

Vale a reflexão! Por que não cuidar com mais carinho daquilo que deixamos invadir o nosso cérebro. Por que não decidir o que queremos acumular nesse nosso valioso reservatório.

E quanto aos nossos filhos? Cabe a observação dos pais de como estão favorecendo ou dificultado o seu desenvolvimento. E vejam que falamos apenas de uma “tela”. E sabemos que nossos filhos estão expostos a outras tantas telinhas como o celular, o video game, o computador e outras que virão! Mas isto é uma capítulo à parte!



Dora Porto
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